quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

From Paris




Baudelaire disse:

" Todas as belezas contêm, assim como todos os fenômenos possíveis, algo de eterno e algo de transitório, de absoluto e de particular. A beleza absoluta e eterna inexiste, ou melhor, é apenas uma abstração empobrecida na superfície geral das diferentes belezas. O elemento particular de cada beleza vem das paixões, e como temos nossas paixões particulares, temos nossa beleza particular."

E talvez o que ele estivesse querendo dizer é exatamente aquilo que nossas mães e avós sempre falaram: "cada cabeça, um mundo". Simples assim. Porque nosso olhos não vêem as mesmas cores numa tela, nem os corpos, amor por uma mesma musa, ou coração a mesma intensidade, e uma melodia a necessidade de um mesmo timbre como encaixe perfeito. Somos todos mundos diferentes, e ao mesmo tempo, em um só mundo.
E a felicidade só está onde existe paixão,vontade, desejo. Onde seu coração estiver, aí é o seu lugar.
Mas se as paixões são tão inconstantes e transitórias, onde está sua felicidade, onde está seu coração?
Estará com você em Paris, em Madagascar, Brasil, Zâmbia, Maputo, Dinamarca, El Salvador...
Em todos os caminhos, todas as direções, onde quer que for, sua felicidade estará onde seu coração estiver. Aos viajantes, nos quatro cantos da terra.
O importante é seguir.

terça-feira, 14 de junho de 2011

A persistência da memória


Existe um lugar na mente de todo ser humano, é um lugar confuso onde se guardam imagens que gradativamente perdem a forma, misturam-se as cores e se esquece o sentido original. Esse lugar é a memória, ou apenas a velha louca que deveria zelar pelo armazenamento de nossas lembranças.


Todas as coisas, até os amores que um dia sentimos tão intensamente, até eles, um dia, depois de escorrer por entre nossos dedos, serão lançados na memória. E é natural que o tempo roube parcelas da sensação desse amor, até que o mundo real se torne cada vez mais vivo e o antigo amor apenas uma imagem distorcida e surreal, com significados complicados e incertos demais.

Mas a memória é persistente, ela nos lembra constantemente do que guarda dentro dela, mostra que o que era real agora é imagem,e o que era amor agora é apenas lembrança, e essa lembrança inevitavelmente irá ser embaçada pelo tempo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Susana


Sobre meus cabelos dorme Susana, derramada em meus braços, confortável em meu carinho. Ela é o meu doce sonho, minha querida, minha menina.

Dorme susana, deixe-me cantar
Deixe-me te embalar numa canção de ninar.
...
Sonha, pequena, descança serena
Minhas mãos estão aqui
Meu coração é teu refúgio
e teu cobertor, o amor que vive
...
Mon cher, mon cher
Teus olhos são meus olhos
Seu brilho, nossas amêndoas
Encanto, segredos nossos
...

Te estreito em meus braços, calando, mimando
Te vejo, me lembro e percebo nos seus traços
a metade que não é minha
e mais te amo, mais te quero, mais eu canto
uma canção de ninar de Susana
seguindo a melodia enquanto vou te amando.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Chão de giz


Eu desço dessa solidão Disparo coisas sobre Um Chão de Giz Há meros devaneios tolos A me torturar Fotografias recortadas Em jornais de folhas Amiúde!Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes Eu vou te jogar Num pano de guardar confetes...
Disparo balas de canhão É inútil, pois existe Um grão-vizir Há tantas violetas velhas Sem um colibri Queria usar quem sabe Uma camisa de força Ou de vênus Mas não vou gozar de nós Apenas um cigarro Nem vou lhe beijar Gastando assim o meu batom...
Agora pego Um caminhão na lonaVou a nocaute outra vez Prá sempre fui acorrentadoNo seu calcanhar Meus vinte anos de "boy"That's over, baby!Freud explica...
Não vou me sujar Fumando apenas um cigarro Nem vou lhe beijar Gastando assim o meu batom Quanto ao pano dos confetes Já passou meu carnaval E isso explica porque o sexo É assunto popular...
No mais estou indo embora! No mais estou indo embora! No mais estou indo embora!No mais!...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Maria Cor




O que você fez, Maria?
A fim de tentar, exagerou.
Escondeu sua face; a pintou.
Com o rubro selou a boca dos segredos
E com o amarelo, as inteiras verdades e seus medos

Pra onde você vai agora, Dona Maria?
É dona apenas das tuas tintas,
aquelas com que se pintas
A cada novo amor ou na falta de rimas.

Então me diga, de que mais eu te chamaria?
Senão de Maria das cores, flores e amores?
Tudo contrastado na loucura do seu implícito e explícito;
no mistério do meio silêncio e no exagero do colorido.

Chega de gastar tanta tinta, de se esconder atrás da cortina!
Vai lavar esse rosto e esquece os desgostos
Mas não deixe de ser a Maria do colorido,
abandona apenas a dor que se esconde na cor
Seja você; sorriso e cor.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Menino



Menino de sorriso infante
De moldura negra sobre a face
É esse que tem olhos intensos
Que ardem em seu corpo internacionalizado
Porém latino, sem disfarce.
Infante de sorriso menino
Anda livre sem caminho, sem destino
E como todos, já pensou no futuro
Mas assim como fumaça e brisa,
perdem-se os planos, vivi-se ainda.
Sorriso menino infante
Apenas um sorriso de alguém distante
É o bastante para seguir
Levando sempre na memória a imagem
De um menino de sorriso amável,
De um amante indispensável.








(S.L. Figueiredo)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Fire and ice


Some say the world will end in fire,Some say in ice.From what I've tasted of desireI hold with those who favor fire.But if it had to perish twice,I think I know enough of hateTo say that for destruction iceIs also greatAnd would suffice.


(Robert Frost)